Meu caminho pra medicina alternativa não foi modismo, foi necessidade. Na década de 80, aos 17 anos, surgiram minhas primeiras alergias medicamentosas. Remédio pra dor, nem pensar. Uma simples novalgina pode fechar minha traqueia fazendo me impedindo de respirar. Muitas vezes eu preferia aguentar a dor (de dente, de cabeça, muscular) a correr o risco de tomar algum medicamento e ter efeito colateral.

Com o tempo fui ficando íntima das ervas e conhecedora do poder terapêutico das plantas. Uma das que mais gostei de conhecer foi o gengibre, esse super analgésico e antibiótico natural.  A maioria das pessoas conhecem o gengibre apenas como chá para emagrecer ou tratar resfriado, mas o seu poder de cura vai muito além disso.

Ele já me ajudou a aliviar dores horrorosas de uma crise no nervo ciático e desde então não deixo faltar aqui em casa.

Um caso que tenho pra contar aconteceu com meu pai. Ele estava sofrendo com dores nos pulsos, cotovelo e ombro e me chamou pra colocar bolsas de gelo no local. São as dores que todo contador sente depois de passar muito tempo ao computador (literalmente “males do ofício”).  Eu também conheço essas dores e o tratamento com gelo da época em que eu era desenvolvedora de softwares e também passava muito tempo digitando.

Só que dessa vez eu propus um tratamento diferente. Ao invés de gelo, argila com gengibre. Meu pai chiou, claro!

– “Eu sempre usei gelo, o médico disse que era pra usar gelo, eu quero usar gelo”.

Acontece que o gelo só anestesia, não trata de fato o problema. Usar gelo numa sessão de fisioterapia que depois vai aplicar outros procedimentos pra tratar o problema até que vai, mas usar gelo em casa achando que só isso vai resolver o problema é um grande erro.

Preparando o cataplasma

O cataplasma é bem simples de fazer: começa ralando um pedaço de gengibre. À parte dissolva a argila (gosto de usar a preta, mas a verde também serve) em um pouco de água pra ficar um “lama” leve. Coloca o gengibre dentro, mistura e aplica no local da dor. Depois é ficar quietinho por uns 40 minutos enquanto o gengibre age. Após esse tempo é só lavar sob o chuveiro.

Apliquei esse cataplasma e deixei ele na sala assistindo um filme. Quando voltei depois de 40 minutos ele, que deu tanto trabalho pra aceitar esse tratamento, nem queria tirar a artiga:

“‘homi’, deixa eu aqui mais um pouco. … Está tão bom. ..O gelo sempre dói quando eu aplico e isso aqui não doeu nada. É tão confortável.” (Foram as palavras dele)

Falei pra deixar só mais 10 minutos (vi que a argila ainda estava úmida) porque “tudo de mais é veneno. ”
No dia seguinte ele me liga:

“Quando é que tu pode vir aqui pra botar aquele barro em mim de novo? Rapaz que negócio bom. Estou bonzinho. Dormi super bem. Senti quase nada de dor hoje, mas queria outra aplicação pra garantir…”

Foram 3 dias de aplicação desse cataplasma. Ele manteve o mesmo ritmo de trabalho mas não foi mais incomodado pelas dores. Realmente resolveu o problema. E é isso que eu amo na terapia com plantas: elas não maquiam o problema, elas tratam. Esse cataplasma ajuda quem sofre de artrite, artrose, dores no pescoço, ombros, coluna e até torções de pulso ou tornozelo. Super recomendo.

Aqui no blog eu já falei de outro tratamento natural para dores. É um remédio feito com o caroço do abacate, receita da minha mãe que eu ensino a fazer aqui neste link. Também maravilhoso. Não tem ação anti inflamatória como o gengibre, mas alivia consideravelmente dores de músculo e articulações.  Vale a pena conhecer. 😉

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